Perto do retorno ao Vasco, Cuiabano observa laterais de destaque na Copa e mira Seleção em 2030
Enquanto a Copa do Mundo 2026 movimenta o futebol internacional e inspira uma nova geração de jogadores, o lateral-esquerdo Cuiabano acompanha o torneio com atenção especial. Aos 23 anos, o atleta nascido na capital mato-grossense vive um momento de retomada na carreira após lesão muscular e já traça metas para os próximos anos. A mais ambiciosa delas é entrar no radar da seleção brasileira no ciclo rumo à Copa do Mundo de 2030.
Revelado pelo Grêmio, onde ganhou projeção nacional, o jogador do Vasco acumulou experiências importantes nos últimos anos. Com passagem de destaque pelo Botafogo, clube pelo qual conquistou os títulos da Libertadores e do Campeonato Brasileiro em 2024, foi negociado com o Nottingham Forest, da Inglaterra, que o emprestou ao Cruz-Maltino.
Durante a pausa no calendário, o lateral aproveitou alguns dias de descanso em Cuiabá ao lado da família. O período foi importante depois de um ano marcado por mudanças de país, clube e rotina.
— Foi uma correria danada, né? Muita mudança, fuso horário, adaptação... faz parte da nossa vida. Consegui dar uma parada sim, ficar com a minha família, descansar a cabeça e cuidar da saúde mental. Importante para recarregar a bateria, mas jogador nunca desliga 100%. A gente sempre faz alguma coisa para manter o corpo ativo. Pude treinar e reencontrar amigos — disse em entrevista ao ge.
Recuperado de lesão
No fim de abril, Cuiabano sofreu uma lesão muscular na coxa que o afastou dos gramados por quase um mês. O lateral, porém, conseguiu retornar antes da paralisação e participou das partidas contra Bragantino e Corinthians, pelo Campeonato Brasileiro, além do confronto diante do Barracas Central, pela Copa Sul-Americana. Agora, garante estar totalmente recuperado para a retomada da temporada.
— Tive um problema muscular na coxa que me segurou um pouco. Mas fiz um tratamento intenso, de dois turnos, um pouco no CT do Vasco e um pouco em casa. Graças a Deus já estou 100%, voltei a jogar antes da pausa, treinando normal com o grupo e sem restrição nenhuma. No retorno agora é aprimorar o ritmo e lutar para voltar às vitórias.
Desde sua chegada ao Vasco, Cuiabano disputou 14 partidas, marcou um gol e contribuiu com quatro assistências. Os números mantêm uma característica que o acompanha desde os tempos de Botafogo: a participação ofensiva. Pelo clube alvinegro, acumulou 77 jogos, dez gols e oito assistências entre 2024 e 2025.
Disputa por espaço
Com o retorno das competições, o lateral espera conquistar mais minutos em campo, mas evita tratar a titularidade como prioridade individual. Para ele, o principal objetivo é ajudar o Vasco a reagir na temporada.
— A perspectiva é de muito trabalho. O Vasco é gigante e a gente sabe da responsabilidade de vestir essa camisa. Sobre ser titular, isso eu batalho no dia a dia, respeitando meus companheiros e a opção do professor Renato. O mais importante agora é o grupo estar forte e unido para tirar o clube dessa situação. Quem o professor escolher vai estar pronto para dar a vida em campo.
O momento do clube exige atenção. O Vasco ocupa a zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro, cenário que preocupa elenco e torcida.
— O Vasco não merece estar ali e a gente tem total consciência disso — destacou, antes de frisar o compromisso de todos na recuperaçáo:
— Essa pausa serviu para cada um descansar, cuidar da parte mental e refletir sobre essa primeira parte do ano. Agora temos que fechar o grupo e melhorar nossos pontos fracos. O pensamento é um só: união e entrega total. Vamos lutar e o torcedor pode ter certeza que empenho não vai faltar.
Confiança em Renato Gaúcho
Outro fator que pode favorecer Cuiabano na sequência da temporada é a relação construída com Renato Gaúcho. Os dois trabalharam juntos no Grêmio, clube no qual o lateral começou a ganhar espaço entre os profissionais.
Segundo o jogador, o histórico facilita a adaptação e o entendimento dentro do trabalho diário:
— Trabalhar com o professor Renato é bom demais. Como a gente já se conhecia do Grêmio, facilita bastante a comunicação e ele sabe o que eu posso entregar, onde eu posso ajudar mais. Ele é um cara que entende muito de futebol e de vestiário, sabe falar a língua do jogador. Cobra muito a gente, mas também dá muita confiança. A relação é de muito respeito e profissionalismo.
Sonho de Seleção segue vivo
Em meio à realização da Copa, Cuiabano admite que o torneio desperta ainda mais o desejo de vestir a camisa da seleção brasileira. Embora reconheça que o foco atual esteja totalmente voltado para o Vasco, o lateral vê o próximo ciclo mundial como uma oportunidade para buscar espaço entre os principais nomes do país na posição.
O atleta já teve passagens pelas categorias de base da Seleção e acredita que o caminho para uma eventual convocação passa pelo desempenho dentro dos clubes.
— Não vou mentir, é claro que é um sonho jogar pela Seleção. Já tive o prazer de jogar nas categorias de base, mas sei que a principal é outro nível. Apesar de jovem, já tenho um caminho percorrido no futebol, com títulos de Libertadores, Brasileirão e estaduais, mas sei que as coisas acontecem no tempo certo.
— Se eu fizer um trabalho bem feito aqui no Vasco, que é minha prioridade total hoje, a chance na Seleção pode ocorrer. Tem que sonhar, mas tem que trabalhar muito.
Copa também como fonte de aprendizado
Além da torcida pelo Brasil, Cuiabano aproveita a Copa do Mundo para observar alguns dos principais laterais do futebol internacional. O hábito, segundo ele, faz parte do processo de evolução profissional.
— A torcida é pelo Brasil e não tem como ser diferente. A gente está na esperança do hexa. Mas confesso que tenho assistido alguns jogos específicos.
Um trio que tem feito sucesso em grandes clubes europeus ganha atenção especial de Cuiabano.
— Tenho olhado o Hernández, da França, o Davies, do Canadá, e o Nuno, de Portugal. São caras que são referência hoje. Gosto de ver os jogos das seleções maiores para observar os caras da minha posição, ver como eles se movimentam e o que dá para aprender — completou ao ge.
Fonte: ge