A liminar que suspendeu a intervenção judicial na Vasco SAF e devolveu a administração da empresa ao Conselho de Administração representa uma vitória para o CRVG na disputa jurídica. Na prática, Pedrinho volta a comandar a SAF. Mas como fica a venda do futebol vascaíno para o investidor Marcos Lamacchia?
Para o investidor, filho de José Roberto Lamacchia, só haveria negociação caso Pedrinho e os conselheiros afastados pela Justiça voltassem aos seus respectivos cargos no Conselho de Administração da SAF. E isso aconteceu.
Marcos Lamacchia e José Roberto Lamacchia, em declarações recentes, já tratavam o negócio como certo, assim como o ge revelou em março. Na quarta-feira, Marcos havia protocolado uma carta aos interventores judiciais afirmando que os contratos estavam "praticamente concluídos" depois de dois anos de negociações.
No documento, porém, deixou claro que o aporte dependeria de duas condições:
1) O encerramento da intervenção judicial e o restabelecimento da estrutura anterior de governança da SAF, com a reintegração dos conselheiros afastados.
2) O saneamento de eventuais irregularidades apontadas pelas autoridades competentes.
Para Marcos Lamacchia, a questão com a 777 não apresenta preocupações. O investidor tem confiança na conclusão do negócio. Hoje, a SAF do Vasco pertence ao clube social em 30%, enquanto 39% estão em disputa na arbitragem e os outros 31% já pertencem aos americanos da 777.
— A 777 não me preocupa. É uma questão negocial. É uma cortina de fumaça. Na verdade, o que ocorre é que os afastados do grupo do Pedrinho buscam a manutenção de poder via justiça. E o que me preocupa não é a decisão em si. Decisões judiciais se cumprem, se contestam e se reformam — disse Marcos Lamacchia, em entrevista ao jornal O Globo.
O investidor ainda afirmou que se a negociação não fosse com Pedrinho, já estaria fora das conversas. Marcos Lamacchia disse que as conversas estavam às vésperas do anúncio.
— Preocupante é o sinal que isso manda para qualquer investidor que pense entrar no futebol brasileiro. Se não conhecêssemos o Pedrinho e sua equipe, estaríamos fora. Quando a política interna de um clube consegue induzir o Judiciário ao erro, para travar uma negociação bilionária que pode salvar o Vasco às vésperas do anúncio, o prejuízo é incalculável. E o Vasco não pode pagar esse preço.
Segundo Luis Manuel, presidente do Conselho de Beneméritos, Pedrinho apresentou os termos gerais do memorando de entendimento com os novos investidores, em reunião com conselheiros, mas também não explicou como será a negociação com a 777.
— O que o Pedrinho apresentou ali foram os termos gerais do memorando de entendimento. Como a questão com a 777 vai ser negociada, ele não apresentou a informação sobre isso especificamente — disse Manuel ao ge.
Pedro Emanuel desembarcou no Rio de Janeiro comandar o Vasco
Para vender a parte que está em discussão na arbitragem, será necessário um acordo ou uma decisão judicial a favor do Vasco. A 777 defende a sua participação nas conversas.
Caso o Vasco avance para uma nova venda da SAF, a operação ainda precisará cumprir o rito previsto no estatuto do clube. A proposta deverá passar pelo Conselho de Beneméritos, ser apreciada pelo Conselho Deliberativo e, por fim, ser submetida à Assembleia Geral dos associados, responsável pela aprovação final da operação. Também há a necessidade da aprovação da Justiça, uma vez que a SAF e o clube estão em recuperação judicial.
Recentemente, um grupo de 106 conselheiros do Vasco divulgou uma carta de apoio ao presidente Pedrinho e defendeu a venda da SAF ao empresário Marcos Lamacchia.
Fonte: ge